Dicta hic harum et occaeca

O mundo está atravessando um período turbulento. Com a pandemia em curso há mais de um ano, fomos obrigados a repensar a forma como nos comportamos. Tendo em vista este cenário, a MundoCoop, que há mais de 20 anos leva os conceitos e ideais do movimento cooperativista para todo o Brasil apresentou, neste Dia Internacional da Mulher, o CoopTalks Perspectivas, o primeiro grande evento online do cooperativismo em 2021.

Acompanhadas por mais de 2300 pessoas, mulheres dos mais diversos ramos e atividades apresentaram suas visões sobre como o mercado tem se comportado em relação à equidade de gênero, e o que se espera de mudança para os próximos anos.

A vez das novas ideias

A abertura do primeiro bloco do evento contou com a participação de Douglas Alves, diretor da MundoCoop. Em sua introdução ao tema do evento, ele ressaltou a importância de se utilizar o conhecimento como arma para levar a humanidade em direção à novos horizontes.

Para iniciar as conversas, Tânia Zanella, gerente geral da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), trouxe sua perspectiva sobre o tema “A importância da mulher no cooperativismo nacional”. Durante sua palestra, Zanella trouxe alguns números da OCB, onde 55% do quadro de funcionários são mulheres, com 84 nomes assumindo cargos de grande destaque. Ela ainda ressalta que o poder da mudança virá quando um esforço em prol da equidade seja realizado. “Precisamos de mulheres que tragam suas histórias e experiências”, diz ela. O cooperativismo é feito de pessoas para pessoas, e quando se conversa sobre aumentar a participação feminina, é preciso uma união geral para se atingir uma mudança significativa.

Em seguida, Cristina Kerr, CEO da CKZ Diversidade, falou sobre o tema “Diversidade e Inclusão: Impacto dos Vieses Conscientes”. Vivemos em um mundo cada vez mais diverso. Os tempos mudaram, e cada vez mais as pessoas tem sentido mais liberdade para serem quem são. Hoje em dia, o respeito à diversidade é um dos pilares da sociedade, e a empresa que quer prosperar, deve criar políticas para assegurar a segurança e respeito a todos os membros do seu quadro de funcionários. Para Cristina, é preciso trabalhar no que chamamos de ‘cultura da inclusão’. “Quando falamos de diversidade, não estamos falando apenas dos grupos denominados minoritários. Mas sim, de todos. Quanto maior a diversidade e um ambiente inclusivo, mais sustentável será a cooperativa ou empresa”, diz ela.

Continuando o primeiro bloco, Rita de Cássia Mundim, economista e vencedora do prêmio SomosCoop, trouxe uma reflexão em cima do tema “Análise Macroeconômica e Cenários”. Durante sua fala, Mundim apresentou dados sobre o mercado brasileiro recente. Com a pandemia, o País se deparou com o constante fechamento de postos de trabalho. Em contrapartida, o número de empreendedores viu um expressivo aumento. Com números mais otimistas para os anos que virão, é possível esperar um país com um cenário empreendedor ainda mais forte, apoiado pelo aumento de cooperativas de crédito, que nos momentos mais difíceis da pandemia, se tornaram o escape para os pequenos produtores e empreendedores que buscavam crédito, mas que não o conseguiam nos grandes bancos e instituições. “O Brasil é o país do cooperativismo”, ressaltou Mundim.

Com o tema “Como a tecnologia pode apoiar a reinvenção profissional das mulheres”, Sandra Turchi, Especialista em Marketing Digital e E-commerce, usou sua própria trajetória para mostrar como as inovações do nosso tempo podem ser aliadas das mulheres que querem começar o próprio negócio. Durante sua fala, questões como a maternidade entraram em pauta, evidenciando uma realidade do mercado de trabalho: ainda hoje, mulheres que tem filhos tendem a ser demitidas logo após a volta da licença maternidade. Essa situação, romantizada por muitos, é um retrato do próprio sistema do mercado, que vê a maternidade como um obstáculo na vida profissional de uma mulher. Com isso, as tecnologias chegaram como uma oportunidade para essas mulheres, dando novas armas para elas tomarem o protagonismo de suas próprias histórias.

Em seguida, com o tema “Mulher, desigualdade e Impacto Social: desafios para um novo cenário”, Maria Flávia Bastos, professora e escritora, discutiu a forte inclusão das questões sociais no mundo contemporâneo. Os tempos mudaram, e mais do que nunca somos chamados a tomar partido com relação a questões sociais, seja para corrigir injustiças, como ir para a linha de frente em busca de mudança. Em sua fala, Bastos ressalta a missão de preencher os chamados ‘vazios sociais’. Com a pandemia, foi necessário repensar nossos atos, e gerações mais novas já demonstram um engajamento maior com estas questões, movimento que apenas se intensificou com os desafios da pandemia.

A seguir, Poliana Reis Abreu, Diretora de Conteúdo, Marketing e Parcerias da HSM e SingularityU Brazil, trouxe para a mesa o tema “Curadoria de Conteúdo e Originalidade: como conectar ideias e antecipar tendências”. Hoje, a tecnologia possibilita qualquer um a colocar o que pensa na internet. Pequenos negócios veem nas redes a oportunidade de cresceram e atingirem um grande público. Mas como chamar atenção em um meio tão competitivo? Durante sua fala, Abreu destacou os papéis do conteúdo dentro da estratégia de comunicação de uma empresa. Dessa forma, um negócio de sucesso deve se pautar em três objetivos: promoção e identidade da empresa, confiança e credibilidade e fidelização de clientes. “A construção de conteúdo independe do segmento. Não faltam informações, mas sim curadoria”, ressalta Poliana.

Encerrando o primeiro bloco do evento, Adriana Lúcia da Silva, Cofunder da AgTech Garage e engenheira agrícola, ressaltou as últimas inovações do setor. “A pandemia acelerou a adesão à novas tecnologias”, conta ela. Mais do que nunca, o campo está sendo robotizado, com as máquinas dominando diversas funções, que vão da manutenção da plantação ao momento da colheita. Neste ramo, as startups tem criado soluções inovadoras, que aumentam a produção e agilizam as atividades. Em breve, essas soluções tecnológicas devem ser a base de parcerias, que, segundo Adriana, devem ser a principal forma de resolução de problemas. Tal inovação também é um importante passo, em busca de uma produção agrícola mais sustentável, algo indispensável nos dias de hoje. “É na fronteira do conhecimento que está a inovação”, completa.

Lideranças em pauta

No primeiro momento do segundo e último bloco, apresentado por Luis Cláudio Silva, diretor da MundoCoop, quatro nomes discutiram sobre a importância de criar oportunidades para o aumento de lideranças femininas.

Iniciando a conversa, Taís Di Giorno, Presidente Executiva do Sicoob Cecres, deu sua visão sobre a configuração do mercado hoje. Para ela, as barreiras ainda existentes para as mulheres são de responsabilidade da sociedade em geral. “Se estamos a passos lentos na equidade de gênero, a responsabilidade também é das mulheres”, diz ela. Para Táis, isso é resultado de pensamentos arcaicos dentro das empresas, que minimizam as vontades das mulheres, tirando delas a capacidade de se impor, suprimindo suas vozes. A solução, é criar e dar oportunidade para lideranças mais acolhedoras, pautadas na sororidade e na busca por um ambiente favorável para todos. Um ambiente que estimula a busca da mulher pelas suas próprias vontades e objetivos. “Quem eu sou, e onde posso estar”, completa.

No segundo momento, Viviane Vieira Malta, Diretora de Administração e Finanças da Unimed do Brasil, contou um pouco de sua história ao exemplificar o perfil dos cargos de liderança do país. Ao tornar-se a primeira mulher presidente da Unimed, ela se viu num ambiente opressor, como conta, e que em um primeiro momento a colocou em um caminho onde deveria se resguardar para ter respeito. Tal mentalidade deve mudar, e vem da percepção de que não é preciso de portar como seus colegas homens para ter sua presença respeitada.

Em seguida, Maíra Santiago, Educadora, roteirista e diretora-presidente da Cooperativa Coletiva, ressaltou a importância de ser curioso. Para ela, é preciso identificar os sucessos e fracassos durante os processos, e apenas isso, criará uma boa governança. É através das vulnerabilidades que nos fortalecemos, e consequentemente, vemos isso refletido nos negócios.

Continuando a discussão, Mariely Biff, Consultora em Sucessão Familiar e cooautora do livro Mulheres do Agro, nos entregou um questionamento: Porque você faz, o que você faz? A partir disso, ela discutiu o comportamento do mercado, que possui oportunidades para aqueles que são bons no que fazem. Com a inserção de mulheres em cargos de liderança, ela ressalta, há uma reação em cadeia, onde mulheres de todos os cargos passam a ser representadas. Inclusão não é apenas contratar mulheres em suas equipes. “A inclusão é dar condições dignas para que se exerça uma função”, completa.

Cooperativismo que inspira

Encerrando o CoopTalks Perspectivas 2021Ana Paula Ferreira, Presidente da Coex Carajás, trouxe sua história de vida para mostrar o impacto real do cooperativismo. “Para estar onde estou, houve muita luta”, conta ela. Histórias como a de Ana mostram como o setor tem ajudado milhares de cooperados pelo país.

De família humilde, foi na cooperativa que ela viu um propósito e a capacidade de crescer. Ela, que era a única mulher dentro da cooperativa, conseguiu traçar um caminho rumo ao topo, passando de estagiária a Presidente da Coex nos últimos anos, com sua liderança transparecendo a forma mais humanitária e acolhedora com a qual mulheres exercem suas funções. Porém, grandes líderes reconhecem o trabalho em equipe. “Por trás de uma grande mulher, há um grupo de cooperados que a apoia. Uma cooperativa forte, requer cooperados fortes”. É com essa ideia, que ela tem obtido sucesso em sua trajetória na cooperativa, algo que faz questão de destacar. Contudo, não apenas o apoio de seus colegas é necessário, como acreditar em si mesma e na capacidade de realizar uma mudança efetiva. “Você sempre será referência para alguém. Defenda o que acredita, e você terá resultados positivos”.

Desta forma, com grandes nomes do cooperativismo, o CoopTalks trouxe para os holofotes a importância de criar um ambiente mais inclusivo e livre para o debate de ideias. Com um período tão conturbado, é preciso pensar em novas formas de se fazer cooperativismo, e através de grandes nomes, a MundoCoop contribuiu de diversas formas para oferecer novas perspectivas para os cooperados do Brasil. O futuro pode ser brilhante, e são as novas ideias, que o tornarão realidade.

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